Relações entre a Educação e a 4ª Revolução Industrial

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O que é a 4º Revolução Industrial?

A 1ª Revolução Industrial ocorreu entre 1760 e 1830, dando origem à produção mecanizada graças a novidades como o motor a vapor. A 2ª aconteceu por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. Já a 3ª, em meados do século 20, foi marcada com a chegada das telecomunicações e tecnologia da informação.

Agora, a 4ª Revolução Industrial traz uma tendência à automatização total das fábricas. Essa automatização acontecerá através de sistemas ciberfísicos, concebidos graças à internet das coisas e a computação em nuvem.

O termo teve sua origem em um projeto de estratégia de alta tecnologia do governo alemão, que trabalha desde 2013 para elevar a sua produção a uma total independência da obra humana. Os mercados emergentes da Ásia estão na vanguarda da quarta revolução, dizem os especialistas. Mas o conceito foi usado pela primeira vez em 1940 em um documento de uma revista de Harvard intitulado A Última Oportunidade dos Estados Unidos.

Relações entre Trabalho e a Quarta Revolução Industrial

De acordo com o artigo de Liliam Silva, orientadora de tutores no ensino superior: “Construir uma cultura de aprendizagem ao longo da vida profissional de alguém já faz parte do mundo do trabalho há tempos, e implica em mudança de uma educação voltada para o emprego ”. Segundo a pesquisadora, esses cenários são anteriores à 4ª RI e, por esse motivo, não são exclusivamente impulsionados pelo “boom” da tecnologia. Mesmo assim, Liliam ressalta que:

“Certamente deve-se levar em consideração que a aceleração que ocorreu no âmbito da tecnologia vem amplificando no universo do trabalho, inclusive a instabilidade salarial e as fortes tendências de polarização que nos estimulam a nos reciclarmos profissionalmente.”

De acordo com a especialista: “O novo mundo do trabalho que desponta neste século exigirá inovação nas políticas sociais e trabalhistas, inclusive aproveitando as mesmas tecnologias que causaram as perturbações. Por exemplo, para muitas funções existirão novas formas de trabalho à distância. […] Serão exigidos cada vez mais novos quadros regulatórios e os trabalhadores deverão estar no centro da gestão da transição para o novo mundo do trabalho agora plenamente globalizado por conta das tecnologias.” 

Para isso, a formação profissional e os serviços ofertados aos consumidores deverão ser “adaptados principalmente às necessidades e prioridades dos trabalhadores”.

Outro aspecto fundamental desta capacitação individualizada é o alinhamento da “expansão do acesso digital a todos”, justamente para possibilitar que mais trabalhadores alcancem novos mercados e se beneficiem da nova economia digital.

Liliam pontua ainda que “a organização contemporânea exige que o trabalhador atue com processos altamente técnicos e complexos que geram autonomia, mas também ocasionam mais responsabilidade.” Ainda nesse cenário, os reguladores nacionais e internacionais irão encontrar cada vez mais dificuldade em lidar com o que Silva classifica como uma “nuvem humana sem fronteiras.”

Contudo, quando um setor que antes era operado manualmente torna-se obsoleto, não é tão simples para o ex-funcionário apenas “mudar de ramo”. Afinal, novas oportunidades e disponibilidades de vagas também variam conforme o ambiente. Por exemplo, é em grandes centros urbanos podem ocorrer compensações da perda de empregos através da criação de novos setores e serviços, mas muitas vezes não é possível fazer o mesmo em pequenas cidades e áreas rurais. Por esse motivo, em muitos países, a incapacidade de “fornecer caminhos alternativos viáveis para todos os afetados” (através da empregabilidade), tem levado os governantes a diversos desafios.

A Educação na nova Revolução Industrial

Silva afirma ainda que: “O desenvolvimento das habilidades dentro de uma configuração prática é uma maneira de superar o desajuste entre as habilidades adquiridas pela força de trabalho de antigamente e as adquiridas em sala de aula nas escolas tradicionais. Entra aí um terceiro elemento. O objetivo de um bom modelo de aprendizagem é sempre educar a força de trabalho em uma ampla gama de habilidades orientadas para o futuro e com práticas que serão necessárias para que todos os envolvidos sejam bem sucedidos em suas carreiras e façam conquistas em direção ao sucesso.

Por esse motivo as organizações alinhadas e orientadas para o desenvolvimento da aprendizagem passaram a ser: “concebidas como espaços onde os seres humanos ampliam suas possibilidades de gerar os resultados para os quais foram contratados”, esse processo ocorre por meio de novos modelos de pensamento que sustentam a aspiração coletiva. A autora afirma que distingue o que profissional bem sucedido nos dias de hoje é a: “capacidade de aprender”. Esse comportamento reflete-se em adaptar-se e resolver problemas frente às situações do cotidiano de maneira criativa e inovadora, para assim responder sabiamente às exigências do trabalho.

Considerações finais

O mundo globalizado e a alta competitividade exigem que as organizações explorem novas oportunidades e que aprendam com seus erros e sucessos passados. Liliam afirma que: “O aprendizado não é um fim em si mesmo.” Por esse motivo, é importante para o futuro da educação na 4ª Revolução Industrial organizar-se para capacitar os alunos; desenvolver a inteligência coletiva e criar condições para que ela funcione bem. Por outro lado, deve-se considerar que a aprendizagem e a educação de adultos estão: “no cerne de uma mudança de paradigma de vida, absolutamente para todos nós que estamos atravessando o século 21. Se antes era um diferencial, agora é uma profunda necessidade.”

Fontes:

http://www.educacao-a-distancia.com/educacao-para-a-empregabilidade-e-nao-para-o-emprego/

https://www.mckinsey.com/mgi/overview

https://www.bbc.com/portuguese/geral-37658309